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O Cisne Feio

  • 5 de out. de 2016
  • 6 min de leitura


Sim, é isso mesmo que você está pensando! Esta história se refere àquela mesma ave, daquele velho conto que você provavelmente já ouviu em algum momento da sua infância...


Certo cisne que cresceu achando que era um pato feio. História essa que pela forma como foi contada, só pode ter partido de um cisne. E logo você vai entender o porquê desta minha afirmação.


Depois dos fatos contados naquela história, o cisne finalmente encontrou sua verdadeira família. Descobriu o que ele realmente era e viveu feliz para sempre! Certo?! – Talvez até este ponto da história, sim - mas, não foi bem assim.


Quando o cisne se reuniu à família dos cisnes, logo notou o sentimento de superioridade que os cisnes em sua grande maioria sentem em relação às demais aves. Contudo, o jovem cisne agora estava com sua verdadeira família e tinha que se adaptar. Muitas das dúvidas sobre quem ele realmente era, agora se foram.


Embora sejam aves lindas, e graciosas, os cisnes são em sua maioria maliciosos, mesquinhos e fofoqueiros. Adoram contar vantagem e é claro: Se exibir. Agindo como se estivessem no topo do mundo - pelo menos entre as aves.

Ironicamente, os cisnes tem um especial desprezo pelos patos. Talvez pela incômoda e característica falta de elegância e simplicidade de modos da maioria dos patos.


Para sorte do jovem cisne, os demais cisnes do bando não deram muita importância para sua vida passada, de onde veio e porque só agora se reuniu a eles. Só importava que ele era um cisne e como tal, tinha o direito de estar entre eles. Mas, precisava rapidamente aprender como agir a partir de agora.


O cisne passou dias acompanhando os demais, que não demoraram a deixar bem claro que ele precisava ser mais gracioso e refinado se quisesse fazer parte do grupo.


Por dias o cisne se esforçou mais e mais para se adaptar. Não foi difícil. E bem lá no fundo, ele sentia que tinha nascido para isso. Sentia-se belo e imponente. O que antes parecia desajeitado, agora se traduzia em delicadeza e leveza – tudo se encaixava.


Os dias passavam e mais e mais ele foi adquirindo o “jeito cisne de ser”. E em um certo momento, ele se deu conta de que para o bando, ele era apenas mais um.

Era tentador para ele poder voltar ao bando dos patos e exibir toda aquela graça e a beleza que ele acreditava ter adquirido.


O cisne viajou horas até encontrar o antigo lago onde vivia com os patos. Animado e ansioso, mal podia conter-se.


Chegando ao lago dos patos, ele se sentia confiante. Fazia movimentos graciosos, estendendo suas asas, alongando seu pescoço e fazendo movimentos frenéticos com a cabeça.


Sem entender nada, os patos se reuniram e observaram atentamente ao espetáculo que o cisne encenava.


Por alguns instantes, o cisne chegou a acreditar que realmente estava sendo admirado.


Os patos se entreolharam curiosos por mais alguns instantes e então, começaram a rir... Percebendo o desconcerto do cisne que começava a perder o ritmo do movimento que executava - gargalharam ainda mais...

Era muito estranho para eles aqueles movimentos estranhos. Eles voavam em torno do cisne e... Quá, quá, quá.... Quá, quá, quá....


O cisne, envergonhado, voltou aos prantos para o lago dos cisnes.


Os demais cisnes, não demoraram a se aproximar do cisne curiosos em saber o que tinha acontecido. E quando o cisne contou, não faltaram conselhos e comentários maliciosos dos cisnes. Era a oportunidade para que os cisnes envenenassem o jovem cisne contra os patos. Alimentando no inocente cisne, um sentimento mais profundo de mágoa.


O cisne, por dias ficou recluso. Triste, remoendo aquele sentimento de magoa que aos poucos foi se transformando em um sutil desejo de vingança.


Num dia seguinte, o cisne levantou-se muito cedo e voltou ao lago dos patos. O cisne agora passaria a dedicar-se integralmente a atrapalhar e zombar dos patos.

Passava os dias se ocupando em encontrar a mínima oportunidade que fosse para atrapalhar a vida de todos os patos: Jogava pedras no lago espantando peixes e atrapalhando a pesca dos patos; Atrapalhava as patas espalhando a palha que com tanto cuidado elas passavam horas recolhendo para seus ninhos; Zombava de tudo e de todos ao menor deslize que cometessem; Pregava o mais variado tipo de peças que se pode imaginar – inclusive nos patinhos menores.


E um dia, sobrevoando o bando de patos, o cisne teve a infeliz idéia de tentar atingir um dos patos com uma pedra a pleno voo. E a pedra não seguiu a trajetória esperada, atingindo a cabeça de um patinho no lago. Os patos viram o patinho machucado e a expressão de vergonha estampava o semblante fechado de todos que olhavam para o cisne.


Naquele momento o cisne se deu conta que realmente tinha passado dos limites. Ele olhou seu reflexo na água e o sentimento de vergonha para ele tomava sua forma mais pura. Ao contrário de antes, a vergonha não era de sua aparência ou sobre o que pensavam dele, mas do que ele realmente havia se tornado.

Olhando cabisbaixo para a água ele se deu conta que até sua aparência havia mudado. Suas penas que antes eram macias e acinzentadas, agora haviam se tornando duras e negras. E o tempo que ele havia desperdiçado maltratando os patos foi muito maior do que ele mesmo pode perceber.


Sem motivação a voltar a viver entre os cisnes e sem coragem de voltar a se aproximar dos patos, por um tempo o cisne se isolou de todos.


A primavera chegava ao fim e a temporada de caça aos patos alcançou inesperadamente a região dos lagos. Ecoava por todos os lados sons de tiros, cães latindo e caçadores gritando.


Sem entender aqueles sons estranhos, o cisne apavorado se apressou e imediatamente levantou voo na tentativa de fuga até o lago onde vivia o bando de cisnes.


Ao alcançar voo, o cisne ouviu mais um daqueles sons estridentes vindo da arma de um caçador escondido, seguido de uma pancada forte no pescoço, próximo ao peito. Mas ainda conseguia voar. E foi até a lagoa dos cisnes onde não havia sinal de nenhum dos cisnes do bando.


Sozinho e desesperado, o cisne tentou voltar para o lago dos patos e só então sentiu que algo de estranho havia acontecido e a dor da pancada que sofreu anteriormente aumentava. Seus movimentos desaceleravam e a vista gradualmente ficava turva.


O cisne ferido caiu em um riacho que desembocava no lago dos patos e, para sua sorte, a água gentilmente o arrastou para longe dos cães dos caçadores dos arredores.


Acordado, o cisne não conseguia se mover.

Entre um piscar de olhos e outro, só relances do desespero de seus irmãos patos que, desajeitados o empurravam para um canto seguro. Mais tarde, foi acordado pela pata mãe que trazia alimento e delicadamente lhe oferecia.


Aquele sentimento de acolhimento que a tempos o cisne não sentia, fazia-lhe um bem que por instantes reduzia o desconforto da dor. O gesto de bondade dos patos começava a fazê-lo perceber o quanto ele ainda era amado e o quanto sempre foi amado e talvez não houvesse se dado conta.


Os dias passaram e o cisne se recuperava. A temporada de caça estava por chegar ao fim e o cisne embora fraco e com muita dificuldade, já conseguia movimentar-se.


Numa manhã ensolarada, todos já ensaiavam sair de seus esconderijos. E o cisne observava a graça da pata mãe ajeitando suas penas, seguida por alguns patinhos menores.

Subitamente, na beira do lago um cão se aproximava e estava prestes a atacar um dos patinhos. Sem pensar e num voo desengonçado combinado com um caminhar rápido sobre a água, o cisne correu em defesa do patinho, atacando ferozmente o cão. E, antes que os demais patos pudessem fazer um movimento sequer, o cão já se afastava assustado. Todos testemunharam o gesto de bravura do cisne.


Deste dia em diante, o cisne decidiu voltar a viver com os patos - voltou algumas vezes também ao lago dos cisnes - mas agora ele sabia o que significava ter uma família. Entendia que pertencer a uma família podia ser algo muito simples enquanto houvesse amor e perdão. E as diferenças eram meros detalhes.


No final, conhecer a si próprio e saber quem ele realmente era, foi a única coisa que um dia faltou ao cisne. E seja entre cisnes ou patos, ele sempre estaria em família.


O cisne conheceu uma linda cisne, com quem construiu uma grande família e sua vida nunca mais foi triste. Diferente de qualquer um que ele conhecia, ele era o único que possuía uma grande família de patos e cisnes.



 
 
 

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